São Paulo, quinta-feira, 24 de abril de 2014. "Saber e não fazer, ainda é não saber" - Confúcio
  Tio Alê
 

 

Avaliação Contínua

 

Uma das maiores dificuldades dos professores é a adoção da avaliação contínua. Não me excluo desse comentário, pois, quando passei a realizá-la tive dificuldades em compreendê-la e implementá-la até chegar ao conceito que hoje compartilho com você.

O ser humano aprende através da imitação. Há casos de crianças abandonadas que foram criadas por lobos ou por macacos e, quando foram encontradas, agiam como lobos ou macacos, inclusive locomovendo-se como eles; não apresentavam nenhum comportamento tipicamente humano. A imitação não é só importante no aprendizado, mas também na humanização. Se passamos toda a nossa vida sendo avaliados da forma tradicional (inclusive nas disciplinas da universidade em que aprendemos didática!), é previsível adotarmos os mesmos procedimentos quando ingressamos na vida profissional.

Para mudar é preciso conhecer diversas possibilidades, para, então escolher e praticar. Você conhece a classificação básica das finalidades às quais a avaliação pode ser aplicada? São:

  • avaliação somativa: é a tradicional avaliação realizada ao final de um evento (tema, matéria, mês, bimestre, etc.), faz um balanço final de tudo que foi conseguido. A intenção é "certificar", ou seja, constatar se a aprendizagem planejada aconteceu ou não.
  • avaliação prognóstica: é aplicada antes do início das ações educativas e tem a finalidade de realizar um levantamento onde se possa inferir a respeito das dificuldades que ocorrerão, quais temas podem ser suprimidos e quais devem ser ressaltados para que a aprendizagem planejada tenha sucesso.
  • avaliação formativa: é aquela aplicada durante o processo educacional. Traz informações do estágio atual, com a finalidade de saber se a aprendizagem está ocorrendo adequadamente ou será necessária uma intervenção para adequar o processo educacional ou auxiliar os alunos individualmente.

Para alguns professores, adotar a avaliação contínua significa intensificar a freqüência das avaliações somativas. Para outros, a avaliação contínua nada mais é do que a substituição da avaliação somativa pela avaliação formativa. Nem um, nem outro.

A melhor forma que conheço para explicar o que é a avaliação contínua é comparar o processo educacional à pilotagem de um Boeing 737 cheio de passageiros.

O resultado esperado é uma viagem agradável, com a chegada no local correto, no horário previsto, com todos os passageiros vivos. É claro que imprevistos podem acontecer e o avião pode ter que pousar em outro aeroporto por causa do mau tempo.

No início do vôo o piloto faz as checagens iniciais: O avião que vou pilotar é um Boeing 737? A tripulação está presente? As condições da fuselagem, dos motores, dos equipamentos, etc. estão boas? Há combustível suficiente?

Depois da decolagem, constantemente, o piloto confere as informações do vôo: Estamos no caminho certo? Nossa velocidade está compatível com o horário previsto para chegada? O comportamento da aeronave está adequado (consumo de combustível, aquecimento, funcionamento dos sistemas, etc.)? Está tudo bem com os passageiros? Quais serão as condições do tempo que enfrentaremos durante o percurso?

Ao final da viagem, após o pouso, o piloto faz o balanço final: Tudo ocorreu como o previsto na carta de navegação? Quais informações serão úteis para que o próximo vôo seja melhor que este? Há dados a relatar para a equipe de manutenção?

 

O piloto adota a avaliação contínua e, só assim consegue realizar um vôo com perfeição. Imagine como seria sem ela:

  • Já está na hora de pousar. Cadê o aeroporto?
  • Senhores passageiros, nosso vôo foi agradável, pousamos em Hong Kong exatamente no horário previsto. (o vôo era para Kopenhagen)
  • Senhores passageiros era para pousarmos agora, mas, não sei porquê, ainda não chegamos ao aeroporto. Aguardem mais um pouco que ele deve aparecer uma hora dessas. E se não aparecer, eu volto um pouco que deve então ter ficado para trás...
  • (Ou a pior:) Informamos que teremos que pousar nesse oceano que está abaixo de nós. Só agora que vi que me deram um Fokker 100, que gostei muito de pilotar, mas já está sem combustível no meio da viagem!

Na hora de ensinar, seu plano educacional é a carta de navegação, avaliação prognóstica é a checagem inicial, a avaliação formativa é a conferência do andamento do vôo e a avaliação somativa, o balanço final.

Dá muito mais trabalho, mas os resultados são mais previsíveis, com um serviço educacional muito melhor para os alunos.

 

Se você gostaria de conversar mais comigo a esse respeito, entre em contato pelo e-mail tioale@tioale.pro.br.

 

Para saber mais:

  • De Landesheere, Gilbert. Avaliação contínua e exames: noções de docimologia. Coimbra, Almedina, 1976.
  • Vasconcellos, Celso dos S. Avaliação da aprendizagem: práticas de mudança. São Paulo, Liberdad, 1998 v.6
  • Sousa, Clarilza Prado de (Org.) Avaliação do rendimento escolar. São Paulo, Papirus, 1991.


Tio Alê
02/05/2003

 


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